O que distingue a espécie humana de outras espécies? O que a torna única e a mais importante? Talvez a inteligência, a racionalidade, o amor, a amizade, a consciência... Não sei direito. E fico mais confuso ainda quando analiso alguns eventos que envolvem todas as espécies desse nosso planeta.
Os gnus, por exemplo, quando atravessam o rio Mara no Quênia, sabem que podem ser devorados por crocodilos, mas eles atravessam. E diante do desespero de um filhote aos berros sendo seguro por uma das patas, a mãe gnu se limita a olhar o filhote ser puxado e trucidado nas águas turvas do rio. Vira e segue sua sina.
Os alpinistas têm seus códigos (honra, ética, conduta) e sabem que jamais podem desrespeitá-los, sob pena de punição da mãe natureza. Quando Bernardo Collares se acidentou na Patagônia, sua companheira de escalada, Renata Bradford, a Kika, deixou-lhe um saco de dormir e algumas provisões. Virou-se e seguiu seu caminho. Ela sabia o que estava fazendo. Assim como o filhote de gnu, ele sabia o que o esperava.
Outro exemplo, os elefantes, como os humanos, choram seus mortos. Bem, pelo menos assim dizem os estudiosos quando veem os enormes paquidermes roçando a tromba em restos mortais de seus semelhantes. Passam horas ali e, quando focalizados pelas poderosíssimas lentes cinematográficas, parecem chorar lágrimas que saem de suas “almas”.
Se a mãe gnu tivesse puxado o filhote até arrancá-lo da boca do crocodilo, mesmo que sem uma das pernas, com certeza ele morreria de hemorragia naquele mundão sem fim. Ela poderia até ser puxada pelo crocodilo e morrer também na boca de outro. Se Kika tivesse ficado para confortar seu amigo, acalentar seu ânimo, amenizar sua dor, com certeza teria sido mais uma vítima na região gélida de El Chaltén.
O pai que quebra a perna do filho para livrá-lo dos escombros do deslizamento também pode ser o mesmo pai que mata o filho viciado em drogas. A mãe que abandona o filho numa lixeira também pode ser a mesma mãe que adota abandonados.
Enfim, alguns animais roubam, matam e abandonam suas crias. Da mesma forma, outros animais se solidarizam, dividem o pouco que têm, adotam algumas crias abandonadas e doam suas próprias vidas para salvar outras.
Tudo como tem de ser no mundo animal.
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