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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Solidão

Olá, Solidão, por que me afrontas?
Por que escureces meu dia e clareias minha noite?
Por que me indagas coisas que não posso responder?
Por que te escondes quando te quero ver?

Oi! Olá, companheiro,
quem te disse que te afronto, se sem ti não tenho paradeiro?
Só estou quando queres e, quando não queres,
estou noutro seio.

Então por que é que me afliges, se me dizes companheiro?
Então por que é que me enganas e me fazes prisioneiro?

Talvez, companheiro, eu não seja o que queres,
o ideal ou o modelo.
Talvez, companheiro, eu não exista realmente
e só paire na mente dos grandes amantes.

Mas então me responda, fiel escudeira,
que carma é esse ser amante da solidão?
Que sina é essa só ter agonia no coração?
Que graça tem essa brincadeira?

Graça nenhuma, apenas angústia e tristeza,
pois, se não me reconheceres de dia,
fatalmente me encontrarás numa noite fria.
E vagarás pelos escombros do teu ser,
com bebidas e fumo, com seres imundos,
com neuralgias e azias, como jias sem crias
que choram nos mangues.


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